Como a Medicina Veterinária e a Zootecnia atuam na defesa da fauna
Atualizado em 24/09/2025 – 9:41am por Assessoria de Comunicação do CRMV-MA
O Dia Nacional de Defesa da Fauna é um chamado para a reflexão e a ação. Proteger a fauna brasileira significa proteger o futuro da biodiversidade, da saúde coletiva e da qualidade de vida das próximas gerações.
Desde 1980, o Brasil celebra em 22 de setembro o Dia Nacional de Defesa da Fauna, uma data dedicada à conscientização e proteção dos animais e de seus habitats naturais. Instituída pelo Projeto de Lei nº 3.558, a iniciativa busca promover ações e discussões sobre a conservação da vida animal, funcionando como um lembrete anual da responsabilidade coletiva diante da biodiversidade brasileira.
O Brasil abriga a fauna mais diversa do planeta. São seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos, que somam mais de 116 mil espécies animais e 46 mil espécies vegetais catalogadas, representando cerca de 20% de todas as espécies conhecidas no mundo, segundo dados do Governo Federal. Essa riqueza natural, porém, está sob grave ameaça devido ao tráfico de animais silvestres, uma das principais formas de crime ambiental.
De acordo com a Organização Social de Interesse Público (Oscip) Renctas, cerca de 38 milhões de animais são traficados todos os anos no Brasil. O país responde por aproximadamente 15% do comércio ilegal mundial, que movimenta mais de US$ 10 bilhões anualmente. A realidade é ainda mais alarmante: de cada dez animais traficados, nove morrem antes de chegar ao consumidor final.
Impactos do tráfico na fauna e na sociedade
Segundo a médica-veterinária Luíza de Marilak (CRMV-MA nº 01544), o tráfico de animais silvestres se caracteriza pela captura, transporte, manutenção e comercialização de espécies sem autorização legal, em desacordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).
Do ponto de vista ecológico, a prática retira indivíduos do seu habitat natural, rompe cadeias tróficas, desequilibra ecossistemas e acelera processos de extinção. A retirada contínua de animais também reduz a variabilidade genética, tornando espécies mais vulneráveis.
Já sob o aspecto sanitário, o tráfico representa risco direto à saúde pública. Muitos animais traficados são potenciais reservatórios de zoonoses, como febre amarela, raiva e salmonelose, aumentando a possibilidade de transmissão de doenças a seres humanos e animais domésticos.
Assim, o impacto do tráfico não se restringe à fauna: compromete também a segurança, o equilíbrio ambiental e o bem-estar da sociedade.
O papel estratégico do médico-veterinário e do zootecnista
Diante desse cenário, a atuação do médico-veterinário é indispensável. Sua formação o capacita a compreender a biologia, a saúde e o bem-estar animal, tornando-o um profissional estratégico na identificação, manejo, tratamento e reabilitação de animais vítimas do tráfico.
Muitos espécimes resgatados chegam a centros de triagem debilitados, com ferimentos graves, desnutrição ou doenças transmissíveis. Nesses casos, a intervenção especializada é essencial para garantir a recuperação e, sempre que possível, a reintegração ao ambiente natural.
Além da atuação clínica, o médico-veterinário contribui diretamente para a vigilância epidemiológica, monitorando riscos de disseminação de zoonoses associadas ao tráfico de fauna. Também desempenha papel fundamental em programas de conservação, desenvolvendo estratégias de manejo sustentável, projetos de reprodução em cativeiro, monitoramento de espécies ameaçadas e estudos voltados à ecologia de populações e à genética da conservação.
O zootecnista, por sua vez, é um profissional amplamente presente em diferentes áreas relacionadas ao bem-estar e à conservação animal. Sua atuação envolve desde a nutrição e manejo alimentar de animais de produção, pets e silvestres, até o melhoramento genético, a conservação dos recursos animais e ambientais, o manejo de pastagens, o comportamento e bem-estar animal, e o manejo da fauna silvestre. Também contribui no desenvolvimento de construções e instalações adequadas para animais, em sistemas de criação de organismos aquáticos e na pesquisa científica voltada à produção animal e à preservação ambiental.
Assim como o médico-veterinário, o zootecnista é peça-chave para a sustentabilidade dos ecossistemas e para a proteção da biodiversidade, garantindo condições que favorecem tanto a saúde animal quanto o equilíbrio entre sociedade e natureza.
Defesa da fauna é defesa do futuro
O Dia Nacional de Defesa da Fauna é um chamado para a reflexão e a ação. Proteger a fauna brasileira significa proteger o futuro da biodiversidade, da saúde coletiva e da qualidade de vida das próximas gerações.
O CRMV-MA apoia e valoriza essa missão, reforçando o papel essencial da Medicina Veterinária e da Zootecnia na defesa da fauna e na construção de uma relação mais equilibrada e sustentável entre seres humanos, animais e natureza.
