NR-1 reforça a importância da saúde mental em clínicas e hospitais veterinários
Atualizado em 15/07/2026 – 11:46am por Assessoria de Comunicação do CRMV-MA
Além do cumprimento legal, a medida incentiva a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e sustentáveis para as equipes veterinárias
A saúde mental dos profissionais tem ocupado cada vez mais espaço nas discussões sobre segurança e saúde no trabalho. Na Medicina Veterinária, essa pauta se torna ainda mais relevante diante dos desafios emocionais inerentes à profissão, como jornadas extensas, atendimentos de urgência, contato frequente com situações de sofrimento e perda, além da pressão por decisões rápidas e precisas.
Nesse contexto, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho, passou a exigir que as organizações incluam os riscos psicossociais em seus processos de gerenciamento de riscos ocupacionais. A medida reforça o entendimento de que a saúde mental é parte fundamental da segurança no ambiente de trabalho.
O que são riscos psicossociais?
Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização, às condições e às relações de trabalho que podem impactar negativamente o bem-estar emocional dos trabalhadores.
Entre os principais exemplos estão a sobrecarga de atividades, jornadas exaustivas, conflitos interpessoais, assédio moral, pressão excessiva, falta de reconhecimento profissional e outras situações capazes de gerar sofrimento psíquico.
Na rotina veterinária, esses fatores podem ser potencializados pelas exigências técnicas da profissão e pela constante exposição a situações emocionalmente desafiadoras, tornando essencial a adoção de estratégias de prevenção e promoção da saúde mental.
O que a NR-1 exige das empresas?
Com a NR-1 em vigor, clínicas, hospitais veterinários e demais estabelecimentos do setor devem incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), instrumento que integra o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Isso significa que os empregadores precisam identificar, avaliar, monitorar e implementar medidas para reduzir ou eliminar fatores que possam comprometer a saúde mental de suas equipes, da mesma forma que já ocorre com os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.
As exigências se aplicam a todos os profissionais inseridos na rotina de trabalho da instituição, independentemente do vínculo contratual, incluindo trabalhadores contratados pelo regime CLT, pessoas jurídicas (PJs), terceirizados e temporários.
Como os riscos psicossociais podem ser avaliados?
A avaliação dos riscos psicossociais deve ser conduzida por profissionais qualificados da área de saúde mental, especialmente psicólogos, que possuem formação técnica para identificar fatores associados ao sofrimento emocional no ambiente laboral.
O processo pode envolver entrevistas, questionários, observação das rotinas de trabalho e análise da cultura organizacional. O objetivo é compreender aspectos como níveis de estresse, burnout, apoio social, autonomia profissional, reconhecimento e qualidade das relações interpessoais.
Quando realizada de forma adequada, essa avaliação permite a construção de estratégias mais eficazes para prevenção de adoecimentos mentais e fortalecimento do ambiente organizacional.
Ações que podem ser implementadas na Medicina Veterinária
A promoção da saúde mental exige um compromisso contínuo das organizações. Entre as medidas que podem ser adotadas estão a qualificação de lideranças, treinamentos em comunicação e gestão de conflitos, ações de prevenção ao assédio moral, rodas de conversa, espaços de escuta qualificada e iniciativas voltadas à qualidade de vida no trabalho.
Também é importante que gestores estejam preparados para reconhecer sinais de sofrimento emocional e encaminhar adequadamente os profissionais para apoio especializado quando necessário.
Um avanço para a valorização profissional
Para o médico-veterinário Daniel Praseres, presidente da Comissão Estadual de Saúde Mental do CRMV-MA, a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais representa um importante avanço para a categoria.
“A Medicina Veterinária é uma profissão que exige muito do ponto de vista técnico e emocional. Reconhecer os fatores que podem comprometer a saúde mental dos profissionais e adotar medidas preventivas é uma forma de promover ambientes de trabalho mais saudáveis, fortalecer as equipes e valorizar aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado dos animais e da sociedade”, destaca.
Mais do que uma obrigação legal
Embora a fiscalização sobre os riscos psicossociais já faça parte da realidade das empresas, a discussão sobre saúde mental no trabalho não é nova. Outras normas, como a NR-17, que trata da ergonomia, e a NR-5, relacionada à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), já reconhecem a importância da identificação de fatores que possam afetar o bem-estar emocional dos trabalhadores.
Por isso, a adequação à NR-1 deve ser compreendida como uma oportunidade a mais de fortalecer a cultura organizacional, reduzir fatores de adoecimento e construir ambientes mais seguros, humanizados e sustentáveis.
Cuidar da saúde mental de quem cuida dos animais é também uma forma de promover a qualidade dos serviços prestados à sociedade e contribuir para uma Medicina Veterinária mais saudável para todos.
