Raiva: vacinação e vigilância são essenciais para manter o controle da doença no Brasil
Atualizado em 03/09/2026 – 9:51am por Assessoria de Comunicação do CRMV-MA
Dia Mundial contra a Raiva, celebrado em 28 de setembro, reforça a importância da prevenção, da vigilância epidemiológica e da atuação do médico-veterinário na proteção da saúde animal e humana
A raiva é uma doença infecciosa grave que pode acometer diferentes mamíferos, incluindo cães, gatos, animais silvestres e seres humanos. Embora o Brasil tenha registrado uma expressiva redução dos casos de raiva em cães e gatos nas últimas décadas, a circulação do vírus em animais silvestres mantém a necessidade de vigilância permanente.
No cenário epidemiológico atual, cães e gatos continuam suscetíveis à infecção por variantes silvestres do vírus da raiva, especialmente aquelas associadas a morcegos, macacos e outros mamíferos silvestres. Por isso, a manutenção da vacinação e o monitoramento de casos suspeitos permanecem fundamentais para evitar a reintrodução e a disseminação da doença em áreas urbanas.
Avanço no controle da raiva canina
A vacinação antirrábica de cães e gatos é uma das principais estratégias de prevenção e controle da raiva no país. Implantada em todo o território nacional pelo Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), criado em 1973, a vacinação contribuiu de forma decisiva para a redução da circulação das variantes típicas do vírus em cães.
O número de casos de raiva canina caiu de 635, em 2002, para 13, em 2025. Até junho de 2026, foram registrados seis casos de raiva canina, envolvendo variantes de animais silvestres.
Embora as variantes caninas clássicas AgV1 e AgV2 estejam atualmente sob controle no país, cães e gatos podem ser infectados por variantes silvestres. Dessa forma, números reduzidos de casos não significam a eliminação do risco.
No Maranhão, o último caso de raiva canina causado pela variante AgV2 foi registrado em 2019, segundo dados do Ministério da Saúde.
Atenção especial aos gatos
Os gatos também desempenham papel importante na epidemiologia da raiva. O comportamento predatório desses animais pode favorecer o contato com morcegos, macacos e outros animais silvestres, aumentando a possibilidade de infecção por variantes silvestres do vírus.
Por isso, além de manter a vacinação dos felinos em dia, é importante evitar que gatos tenham contato com morcegos ou outros animais silvestres. Em situações de contato ou diante de sinais suspeitos, a orientação é procurar imediatamente os serviços de vigilância zoonótica e um médico-veterinário.
Vigilância depende de informação e atuação integrada
A vigilância da raiva animal no Brasil envolve diferentes áreas da saúde pública, da agricultura e do meio ambiente. O Ministério da Saúde monitora casos em animais de interesse para a saúde pública, como cães, gatos e animais silvestres. Já informações relacionadas à raiva em animais de interesse econômico, como bovinos e equinos, são fornecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
A identificação das variantes virais é importante para compreender como o vírus está circulando e orientar as medidas de prevenção e controle. Em um cenário de baixa incidência, a investigação de casos suspeitos e o encaminhamento adequado de amostras para diagnóstico laboratorial são fundamentais para a vigilância epidemiológica.
Qualquer caso suspeito de raiva deve ser imediatamente comunicado à vigilância zoonótica local.
Médico-veterinário é peça-chave na prevenção
A atuação do médico-veterinário é fundamental em diferentes etapas da prevenção e do controle da raiva. O profissional participa de ações de vacinação, vigilância epidemiológica, investigação e diagnóstico, além de atuar na interface entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente.
Na área da Agricultura e Pecuária, também cabe ao médico-veterinário atuar na coordenação e execução do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros, integrado às ações de defesa sanitária animal.
No campo ambiental, a atuação profissional também é relevante para a investigação dos vínculos epidemiológicos e para a compreensão da circulação do vírus entre animais domésticos e silvestres.
Essa atuação integrada reforça o conceito de Saúde Única, que reconhece a relação entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.
Prevenção começa com cuidados simples
A vacinação regular de cães e gatos continua sendo uma das principais medidas para prevenir a raiva. Também é importante evitar o contato com animais mamíferos silvestres e nunca tocar em morcegos ou outros animais encontrados mortos ou apresentando comportamento incomum.
Em caso de contato com animal suspeito, a população deve procurar imediatamente um serviço de saúde e comunicar a situação à vigilância zoonótica local.
O último caso registrado de raiva humana no Maranhão ocorreu em novembro de 2021, quando uma criança de dois anos morreu em São Luís após ser mordida por uma raposa no município de Chapadinha.
No Dia Mundial contra a Raiva, celebrado em 28 de setembro, a data reforça a importância da prevenção, da vacinação, da vigilância epidemiológica e da informação para reduzir os riscos da doença e proteger a saúde de animais e pessoas.
Raiva se combate com prevenção, vigilância e informação.
