Setembro Amarelo: saúde mental também faz parte do cuidado na Medicina Veterinária e na Zootecnia
Atualizado em 17/09/2026 – 2:34pm por Assessoria de Comunicação do CRMV-MA
Sobrecarga, pressão e exposição ao sofrimento também podem afetar esses profissionais. Entenda!
A rotina de quem trabalha com animais pode envolver muito mais do que os desafios técnicos da profissão. Na Medicina Veterinária, por exemplo, profissionais podem enfrentar emergências, diagnósticos difíceis, acompanhamento de animais em sofrimento, eutanásias e contato com tutores que também passam por momentos de angústia e luto.
A essas situações se somam fatores relacionados à própria organização do trabalho, como jornadas extensas, sobrecarga e pressão profissional. O conjunto dessas experiências pode afetar o bem-estar e a saúde mental.
Esse cenário tem sido objeto de estudos científicos. Uma pesquisa publicada em 2026 reuniu 34 estudos, com dados de 35.202 médicos-veterinários de 13 países, e estimou uma prevalência global de burnout de 38,68% entre os profissionais avaliados. Os pesquisadores identificaram a carga de trabalho e as jornadas extensas entre os principais fatores associados ao problema.
O número chama atenção, mas precisa ser compreendido dentro do contexto da pesquisa: trata-se de uma estimativa baseada nas populações estudadas e não de uma proporção que possa ser automaticamente aplicada a todos os médicos-veterinários.
O que é burnout?
O burnout é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional resultante do estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente.
Ele pode se manifestar por meio de três dimensões principais: sensação de esgotamento ou falta de energia; distanciamento mental do trabalho, acompanhado de sentimentos negativos ou cinismo; e redução da eficácia profissional.
Isso significa que falar sobre burnout não é simplesmente falar sobre uma pessoa que está cansada. É preciso olhar também para as condições em que o trabalho é realizado.
Na Medicina Veterinária, esse olhar é especialmente importante diante da diversidade de situações enfrentadas pelos profissionais. A atuação não se limita aos consultórios e hospitais. Médicos-veterinários também estão presentes na saúde pública, vigilância de zoonoses, inspeção e segurança dos alimentos, pesquisa, produção animal, defesa sanitária e diversas outras áreas.
Em todos esses contextos, diferentes fatores podem contribuir para o desgaste profissional.
Quando o cuidado também pesa emocionalmente
Na rotina veterinária, pode ser necessário lidar com a morte de animais, comunicar notícias difíceis, acompanhar famílias durante o processo de luto ou tomar decisões complexas sobre tratamentos e eutanásia.
Esse contato contínuo com situações de sofrimento pode estar relacionado à chamada fadiga por compaixão, conceito utilizado para descrever o desgaste associado à exposição prolongada à dor e às experiências difíceis de outras pessoas ou seres.
Um estudo publicado em 2024 analisou a produção científica sobre fadiga por compaixão em profissionais que trabalham com animais. Os pesquisadores identificaram seis instrumentos utilizados para avaliar o fenômeno, mas também apontaram limitações importantes nas ferramentas disponíveis e a necessidade de pesquisas mais consistentes sobre o tema.
Ou seja, embora a fadiga por compaixão seja uma questão reconhecida na literatura, ainda existem lacunas na forma de avaliar e compreender esse processo.
E sentir o impacto emocional de situações difíceis não significa falta de vocação.
E a Zootecnia?
A saúde mental também merece atenção entre profissionais da Zootecnia.
A atuação do zootecnista envolve diferentes áreas, como produção e manejo animal, nutrição, melhoramento genético, gestão, pesquisa, consultoria e outras atividades relacionadas à criação, produção e bem-estar dos animais.
Dependendo do contexto, esses profissionais também podem lidar com responsabilidades técnicas, tomada de decisões, pressão por resultados, metas e desafios relacionados à organização do trabalho.
Embora grande parte das pesquisas citadas sobre saúde mental esteja concentrada na Medicina Veterinária, discutir ambientes profissionais mais saudáveis também é pertinente à Zootecnia. Afinal, o cuidado com os animais e a qualidade das atividades desenvolvidas também passam pelas condições de trabalho de quem atua nessas áreas.
Nem sempre os sinais são evidentes
O sofrimento emocional pode aparecer de diferentes maneiras e nem sempre é percebido por quem está ao redor.
Exaustão que não melhora mesmo depois do descanso, irritabilidade, isolamento, alterações no sono, dificuldade de concentração, perda de interesse, sensação de esgotamento e distanciamento em relação ao trabalho são alguns sinais que merecem atenção.
Também é importante observar mudanças no consumo de álcool ou medicamentos, sentimentos persistentes de desesperança e pensamentos relacionados à morte.
Nenhum desses sinais, isoladamente, significa que uma pessoa tenha determinado transtorno ou condição de saúde mental. O diagnóstico deve ser realizado por um profissional habilitado.
Mas mudanças persistentes no comportamento ou no bem-estar podem indicar que é hora de parar, olhar para si e buscar ajuda.
Saúde mental também é responsabilidade do ambiente de trabalho
O cuidado não deve depender exclusivamente de iniciativas individuais.
Organizações e equipes também têm papel importante na construção de ambientes profissionalmente mais saudáveis. Isso inclui respeitar jornadas e períodos de descanso, organizar adequadamente as atividades, promover relações respeitosas, prevenir situações de violência e assédio e criar espaços seguros para diálogo e escuta.
O acesso a suporte psicológico e outros serviços de saúde também deve fazer parte dessa rede de cuidado.
A prevenção começa quando o sofrimento deixa de ser tratado como algo que o profissional precisa simplesmente suportar.
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Pedir ajuda não diminui a competência
Existe uma ideia equivocada de que profissionais precisam estar sempre disponíveis, fortes e preparados para lidar sozinhos com todas as situações.
Não é assim.
Reconhecer limites, conversar sobre o que está acontecendo e procurar ajuda quando necessário não significa falta de competência ou de compromisso com a profissão.
Significa reconhecer que quem cuida também precisa ser cuidado.
Se você estiver enfrentando sofrimento emocional persistente, procure um profissional de saúde, como psicólogo ou psiquiatra, ou um serviço de saúde.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Em situações de crise ou risco imediato, procure um serviço de urgência ou emergência.
Neste Setembro Amarelo, fica o lembrete: a saúde mental também faz parte do cuidado.
Na Medicina Veterinária e na Zootecnia, cuidar dos animais, da saúde e da sociedade também passa por cuidar das pessoas que tornam esse trabalho possível.
